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Gustavo Almeida

OPINIÃO | Câmara de Teresina não pode se prestar ao papel de lambe-botas de um "general" de grupo de WhatsApp

Vereador do PT propõe título de cidadania teresinense para André Janones. Há nove anos, o mesmo parlamentar foi contra honraria para o então prefeito João Doria.

Deolindo Moura propôs título de cidadania para André Janones (Divulgação/CMT)

No dia 15 de agosto de 2017, a Câmara Municipal de Teresina rejeitou uma proposta de título de cidadania teresinense para o então prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). A proposição de autoria do vereador Luís André não obteve os 20 votos necessários para ser aprovada. Oito vereadores foram contrários, incluindo a bancada do PT, que vociferou contra o título.

Na época, a rejeição repercutiu nacionalmente e causou um imenso constrangimento ao então prefeito de Teresina Firmino Filho (PSDB), colega de partido e aliado de Doria. Na justificativa para conceder o título, Luís André mencionou existência de parcerias administrativas e cooperação de gestão entre as prefeituras de Teresina e de São Paulo. A Lei Orgânica do Município prevê que um título de cidadania deve ser dado a quem prestou relevantes serviços à cidade e ao seu povo.

Doria, de fato, não tinha lá grandes motivos para fazer jus à honraria, mas muitos títulos de cidadania já foram – e seguem sendo – dados a figuras bem menos relevantes para o município de Teresina.

O vereador Deolindo Moura (PT) foi um dos que votaram contra a concessão do título para Doria. Agora, o mesmo Deolindo, motivado por tacanho ímpeto político-partidário, propõe um título de cidadania teresinense para o deputado federal de Minas Gerais André Janones (Rede). Trata-se de uma figura que nunca fez absolutamente nada por Teresina e cuja trajetória é bem contestável.

A alegação de Deolindo para homenagear Janones é a participação do deputado na campanha que ajudou a garantir mais quatro anos de lulopetismo na Presidência do Brasil. 

André Janones é um conhecido propagador de desinformação na internet e ajudou a campanha de reeleição do presidente Lula (PT) com sua controversa tática de guerrilha digital. Além disso, o parlamentar esteve enrolado com a prática de “rachadinha” em seu gabinete na Câmara Federal e envolvido em uma denúncia de violência contra uma ex-companheira, razão pela qual a Justiça de Minas Gerais concedeu à mulher uma medida protetiva.

Ao propor o título de cidadania para Janones, Deolindo Moura repete iniciativa tomada na semana passada na Assembleia Legislativa pelo seu colega de partido e deputado estadual Dr. Vinicius Nascimento (PT), que quer conceder título de cidadania piauiense para o parlamentar mineiro. Em ambos os casos, a motivação é meramente política, ainda que, ao menos no caso de Vinicius, tente disfarçar.

Quando votou contra o título para Doria lá em 2017, Deolindo Moura certamente avaliou que o então prefeito de São Paulo não fez por Teresina algo que justificasse a honraria. Passados nove anos, o vereador petista enxerga em André Janones um merecedor de tal título. Ao falar do assunto numa entrevista nesta quarta-feira (4.nov.), Deolindo se referiu a Janones como “general que salvou o Brasil”, citando que o deputado comandou o tão falado grupo de WhatsApp chamado “Exército do Lula” durante a campanha presidencial deste ano. 

Os vereadores precisam refletir bem sobre esse tipo de proposição motivada por pura lacração partidária. Se a Câmara Municipal aprovar o título de cidadania para André Janones, vai se rebaixar ao papel de lambe-botas de um “general” de grupo de WhatsApp.

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